O termo “inculturação” indica um processo e como tal não está suficientemente acabado, sua definição depende da história e do tempo. A expressão tem origem na missiologia, mas deve ser usada também do ponto de vista sociológico-cultural. Trata da relação existente entre a fé cristã e as diferentes culturas. O termo é usado pelos católicos desde a década de 30, embora em textos oficiais da igreja apareça na década de 70. A inculturação não é modismo, mas uma necessidade inerente à revelação, à evangelização e à reflexão teológica, não podendo ser confundida com “aculturação” (processo de transformação provocado pela convivência de grupos humanos de culturas diferentes), “enculturação” (processo de iniciação do indivíduo à sua própria cultura), “transculturação” (o transporte de elementos culturais e imposição dos mesmos a uma outra cultura normalmente dominada) e “adaptação” (ajustamento do evangelizador e da mensagem cristã à cultura destinatária através do modo de ser, agir e tradução de textos para a língua vernácula)
Seu objetivo é evangelizar as diferentes culturas respeitando as realidades teológicas e antropológicas das mesmas, distinguindo fé e cultura e salvaguardando a unidade e o pluralismo da igreja universal, na busca de sempre maior comunhão eclesial.Desse modo, podemos afirmar que inculturação é um processo histórico que envolve o encontro do evangelho (fé cristã) com as diferentes culturas. Esse encontro estimula novas relações entre as pessoas e Deus, originando um processo de conversão individual e comunitária cuja intenção é a vivência do evangelho sem trair o modo de ser, de atuar e de comunicar das pessoas dessa cultura que está entrando em contato com o evangelho.
Do ponto de vista bíblico-teológico, podemos dizer que o povo de Israel é um referencial histórico-cultural necessário para o processo de inculturação, porque foi ali que Deus se encarnou em Jesus de Nazaré (Jo 1, 1-14; Fl 2, 5-8). No entanto, não podemos absolutizar essa cultura como forma única e fixa de expressão da revelação de Deus. Toda cultura traz “as sementes do verbo” plantadas pelo Espírito Santo Jesus assumiu profundamente sua cultura, porém não perdeu a visão crítica sobre a mesma. Confirmou e apoiou o que defendia, a vida (Jo 10,10). Tendo o Antigo Testamento como base, corrigiu e reorientou o que foi desviado e pervertido. Com suas atitudes, Jesus nos ensina que nenhuma cultura é perfeita e todas devem estar constantemente abertas à conversão e ao crescimento.
Nenhuma cultura pode se sobrepor e obrigar a outra a ser como ela é. Respeitar a cultura do outro com seus costumes e tradições, sem fazer comparações é ir descobrindo os sinais da presença do Criador de todas as coisas. Embora as culturas sejam diversas, Ele é o mesmo e o Seu Espírito perpassas toda obra criada fazendo a unidade perfeita.
Este texto é a 2° parte do resumo do texto de Padre Gabriel Gonzaga que está disponível na integra para baixar no site da Pastoral na CNBB


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